Paulo Freire sempre fez questão de situar a leitura de mundo como um conceito amplo que remete qualquer sujeito à necessidade de entender sua vida na relação com o mundo, estabelecendo uma mútua determinação entre linguagem e pensamento. Pensa-se o mundo, a vida no mundo, com o pensamento e com a linguagem (e dentro da linguagem a leitura dos textos verbais). Leitura de mundo e leitura das palavras dialogam.
Quando se lê um texto, a leitura de mundo entra de cabeça na produção dos significados resultantes dessa leitura. Quando se pensa o mundo, ocorre um diálogo com todas as leituras de textos feitas anteriormente.
E assim o real, o sentido de vida de cada um, vai sendo construído. E reconstruído. Feito e refeito.
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Aprendemos com as leituras prazerosas, descompromissadas, escolhidas ao sabor do desejo, sem preocupação em buscar informações, em responder perguntas. Da mesma forma, as leituras feitas em busca de conhecimentos, aprendizagens dirigidas, podem causar prazer, o prazer de aprender, de saber mais, de descobrir coisas novas, de olhar a vida e o mundo com outros olhos.
Aos poucos, com a prática contínua e frequente da leitura, vai aprendendo a fazer escolhas, a cortar caminhos, a selecionar o que quer ler, a criticar o que lê, a não ficar parado no meio do caminho das significações que se lhe apresentam.
O leitor é esse sujeito que sofre com a dor de nunca saber tudo, mas que sente prazer em saber o que sabe e que pode saber mais. E sabe que pode ler tudo o que quiser, tudo o que é portador de um significado.
* Adaptação do Projeto Prazer em Ler – C&A
