segunda-feira, 28 de novembro de 2011

SABER VIVER - CORA CORALINA


Não sei... se a vida é curta

ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos

tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,

Braço que envolve,

Palavra que conforta,

Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,

Lágrima que corre,

Olhar que acaricia,

Desejo que sacia,

Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela

não seja nem curta,

nem longa demais,

Mas que seja intensa,

verdadeira, pura...

Enquanto durar.


domingo, 20 de novembro de 2011

TEM NEGRO NA HISTÓRIA?!


Contar histórias e facilitar o acesso aos livros de literatura infantil, para além do lazer e do poder de desenvolver o hábito e o gosto pela leitura, pode representar um papel importante na formação da identidade e no desenvolvimento da auto-estima das crianças. Mas como fazer se, em boa parte dos livros infantis mais utilizados, os negros não aparecem e, quando aparecem, muitas vezes são personagens sem voz, sem vez, sem história? Será que o negro não tem vez na literatura? Como a criança negra poderá deixar de se ver como o diferente se nem nos livros ela tem a oportunidade de ver personagens com características físicas semelhantes às suas? Para mudar o rumo desta história parece ser a hora de sair à caça e dispor de textos onde o negro seja personagem com vida, cultura e história.

 Sugestões em literatura infantil com personagens e/ou temática negros :



A cor da ternura, de Geni Guimarães (Editora FTD)

Agbalá, um lugar-continente, de Marilda Castanha (Editora Formato)

Aída, de Leontyne Price (Editora Ática)

 Berimbau, de Raquel Coelho (Editora Ática)

Bruna e a Galinha D’ Angola, de Gercilda de Almeida (Editora Pallas)

Como as histórias se espalharam pelo mundo, de Rogério Andrade Barbosa (Editora Difusão Cultural do Livro)

Contos ao redor da fogueira, de Rogério Andrade Barbosa (Editora Agir)

Gosto de África: Histórias de lá e de cá, de Joel Rufino (Ed. Onda Livre)

Histórias Africanas para contar e recontar, de Rogério A. Barbosa (Ed. do Brasil) Histórias da Preta, de Heloísa Pires Lima (Editora Companhia das Letrinhas)

Ifá, o adivinho, de Reginaldo Prandi (Companhia das Letrinhas)

Lendas Negras, de Júlio Emílio Braz (Editora FTD)

Luana, a menina que viu o Brasil neném, de Aroldo Macedo (Editora FTD)

 Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado (Editora Ática)

O amigo do rei, de Ruth Rocha (Editora Ática)

O filho do vento, de Rogério Andrade Barbosa (Editora Difusão Cultural do Livro)

O menino Nito, de Sonia Rosa (Editora Pallas)

Que mundo maravilhoso!, de Julius Lester (Editora Brinque-Book)

Tanto, tanto!, de Tristh Cooke (Editora Ática)

domingo, 13 de novembro de 2011

EDUCAR É PARA POUCOS


Educar é um ato heróico em qualquer cultura.

Talvez seja pelo fato de que educar exija que a pessoa saia um pouco de si e vá ao encontro do outro; um outro desconhecido; um outro anônimo; um outro que me questiona; um outro que me confronta com meus próprios fantasmas, meus próprios medos, minha própria insegurança. Talvez seja pelo fato que educar exija sacrifício, exija renúncia de si, exija abandono, exija fé, exija um salto no escuro. Talvez por isso seja algo para poucos.

Seja para pessoas que acreditam nas outras pessoas.

Seja para pessoas que não se acomodaram diante da mesmice que a sociedade pede todos os dias. Talvez por isso seja mais fácil encontrar professores que educadores:

Professores são donos do conhecimento.
Educadores são mediadores.
Professores são profissionais do ensino.
Educadores fazem do ensino um estimulo para seu conhecimento pessoal.
Professores usam a palavra como instrumento.
Educadores usam o silencio.
Professores batem as mãos na mesa.
Educadores batem o pé no chão.
Professores são muitos, Educadores são Um.

O educador tem os pés no chão, mas sua cabeça está sempre nas alturas porque acredita que quem está à sua frente não é um cliente esperando para ser atendido, mas uma pessoa aguardando orientações para seguir seus passos. Esta é a razão de ser do educador. Esta é sua esperança. E para isso, o educador precisar ser inteiro, precisar ser completo, precisa estar em sintonia com o universo. Por isso é para poucos, mas não devia ser assim.
O ideal seria que toda sociedade estivesse voltada para a realização de todos e não apenas para a de alguns privilegiados que se sentem como deuses e querem decidir a vidas das pessoas.
O certo seria que todo ser humano desenvolvesse seus dons e talentos para o bem de todos e que não fosse algo extraordinário alguém sobressair-se por causa de seu potencial artístico.
Simplesmente deveria se assim todo; deveria ser comum todos os seres poderem expressar sua alegria de esta vivo sem precisar "vender" seus talentos para manterem-se vivos.
Infelizmente, no entanto, a realidade que vivemos foi "pensada" de um jeito tal que as pessoas são compreendidas como máquinas de ganhar dinheiro, como objeto de consumo, como um monte de lixo que servirá apenas de estrume para aqueles que dominam o sistema social.
É preciso reverter esse quadro. É preciso que os professores criem uma consciência nova, dinâmica, ancestral, para que novo jeito de pensar venha à tona e possa colocar em xeque uma sociedade que desvaloriza o ser humano em detrimento do dinheiro, do acumulo, do consumo.
É preciso que os professores virem educadores de verdade e possam despertar nossos jovens para o futuro que se inscreve em nossa memória ancestral. Só assim teremos um amanhã.


Daniel Munduruku      

Graduado em Filosofia e Doutorando em Educação na USP. Comendador do Mérito Cultural da Presidência da República. Escritor com 35 obras publicadas (infantil, juvenil e adulta) Diretor presidente do Instituto Indígena Brasileiro para P. Intelectual




CONTRATO PEDAGÓGICO


 



Não importa a idade, as regras e os limites fazem parte da sociedade e desde cedo devemos aprender a conviver com as mesmas.

Saber que o seu direito termina onde começa o direito do outro, aprender a lidar com as diferenças e a resolver seus conflitos é uma constante na vida, seja em que etapa dela se vive.

Por isso, as crianças, desde bem pequenas, devem aprender a conviver com os combinados, os limites, pois não há como passar uma vida fazendo tudo como se quer, na hora que se quer, do jeito que se quer, com as pessoas que se quer.

Pelo contrário, existem as engolidas de sapos, que são importantes para o crescimento e amadurecimento de todos. O que seria do mundo se todos tivessem suas vontades feitas, na hora e do jeito que quisessem?

Na escola, os professores devem estabelecer os combinados(contrato didático/pedagógico), norteando os alunos dos seus direitos e deveres. Aliás, na escola, tudo o que for trabalhado deve ser apresentado com antecedência para as crianças, a fim de trabalhar a organização do tempo; hora da chegada, hora da conversa, hora da tarefa, hora de brincar, hora de lanchar, etc., pois assim as mesmas vão se acostumando à rotina escolar, ficando mais propensas a aceitar as regras.

Da mesma forma, o respeito ao outro deve aparecer em cartazes de combinados, também decorados com figuras e assinados por todos. É importante relembrar os combinados quase que diariamente, para não deixar passar em branco qualquer atitude que fuja aos mesmos.

Assim, cada turma deve elaborar um contrato pedagógico, que mais tarde, será transformado em contrato da escola, a partir de discussões com  os representantes das turmas.