sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

POEMA DO FIM DE ANO - MÁRIO QUINTANA

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano Mora uma louca chamada Esperança: E quando todas as buzinas fonfonam quando todos os reco-recos matracam quando tudo berra quando tudo grita quando tudo apita A louca tapa os ouvidos e atira-se e – ó miraculoso vôo! – Acorda outra vez menina, lá embaixo, na calçada. O povo aproxima-se, aflito E o mais velhinho curva-se e pergunta: – Como é teu nome, menininha dos olhos verdes? E ela então sorri a todos eles E lhes diz, bem devagarinho para que não esqueçam nunca: – O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

SABER VIVER - CORA CORALINA


Não sei... se a vida é curta

ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos

tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,

Braço que envolve,

Palavra que conforta,

Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,

Lágrima que corre,

Olhar que acaricia,

Desejo que sacia,

Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela

não seja nem curta,

nem longa demais,

Mas que seja intensa,

verdadeira, pura...

Enquanto durar.


domingo, 20 de novembro de 2011

TEM NEGRO NA HISTÓRIA?!


Contar histórias e facilitar o acesso aos livros de literatura infantil, para além do lazer e do poder de desenvolver o hábito e o gosto pela leitura, pode representar um papel importante na formação da identidade e no desenvolvimento da auto-estima das crianças. Mas como fazer se, em boa parte dos livros infantis mais utilizados, os negros não aparecem e, quando aparecem, muitas vezes são personagens sem voz, sem vez, sem história? Será que o negro não tem vez na literatura? Como a criança negra poderá deixar de se ver como o diferente se nem nos livros ela tem a oportunidade de ver personagens com características físicas semelhantes às suas? Para mudar o rumo desta história parece ser a hora de sair à caça e dispor de textos onde o negro seja personagem com vida, cultura e história.

 Sugestões em literatura infantil com personagens e/ou temática negros :



A cor da ternura, de Geni Guimarães (Editora FTD)

Agbalá, um lugar-continente, de Marilda Castanha (Editora Formato)

Aída, de Leontyne Price (Editora Ática)

 Berimbau, de Raquel Coelho (Editora Ática)

Bruna e a Galinha D’ Angola, de Gercilda de Almeida (Editora Pallas)

Como as histórias se espalharam pelo mundo, de Rogério Andrade Barbosa (Editora Difusão Cultural do Livro)

Contos ao redor da fogueira, de Rogério Andrade Barbosa (Editora Agir)

Gosto de África: Histórias de lá e de cá, de Joel Rufino (Ed. Onda Livre)

Histórias Africanas para contar e recontar, de Rogério A. Barbosa (Ed. do Brasil) Histórias da Preta, de Heloísa Pires Lima (Editora Companhia das Letrinhas)

Ifá, o adivinho, de Reginaldo Prandi (Companhia das Letrinhas)

Lendas Negras, de Júlio Emílio Braz (Editora FTD)

Luana, a menina que viu o Brasil neném, de Aroldo Macedo (Editora FTD)

 Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado (Editora Ática)

O amigo do rei, de Ruth Rocha (Editora Ática)

O filho do vento, de Rogério Andrade Barbosa (Editora Difusão Cultural do Livro)

O menino Nito, de Sonia Rosa (Editora Pallas)

Que mundo maravilhoso!, de Julius Lester (Editora Brinque-Book)

Tanto, tanto!, de Tristh Cooke (Editora Ática)

domingo, 13 de novembro de 2011

EDUCAR É PARA POUCOS


Educar é um ato heróico em qualquer cultura.

Talvez seja pelo fato de que educar exija que a pessoa saia um pouco de si e vá ao encontro do outro; um outro desconhecido; um outro anônimo; um outro que me questiona; um outro que me confronta com meus próprios fantasmas, meus próprios medos, minha própria insegurança. Talvez seja pelo fato que educar exija sacrifício, exija renúncia de si, exija abandono, exija fé, exija um salto no escuro. Talvez por isso seja algo para poucos.

Seja para pessoas que acreditam nas outras pessoas.

Seja para pessoas que não se acomodaram diante da mesmice que a sociedade pede todos os dias. Talvez por isso seja mais fácil encontrar professores que educadores:

Professores são donos do conhecimento.
Educadores são mediadores.
Professores são profissionais do ensino.
Educadores fazem do ensino um estimulo para seu conhecimento pessoal.
Professores usam a palavra como instrumento.
Educadores usam o silencio.
Professores batem as mãos na mesa.
Educadores batem o pé no chão.
Professores são muitos, Educadores são Um.

O educador tem os pés no chão, mas sua cabeça está sempre nas alturas porque acredita que quem está à sua frente não é um cliente esperando para ser atendido, mas uma pessoa aguardando orientações para seguir seus passos. Esta é a razão de ser do educador. Esta é sua esperança. E para isso, o educador precisar ser inteiro, precisar ser completo, precisa estar em sintonia com o universo. Por isso é para poucos, mas não devia ser assim.
O ideal seria que toda sociedade estivesse voltada para a realização de todos e não apenas para a de alguns privilegiados que se sentem como deuses e querem decidir a vidas das pessoas.
O certo seria que todo ser humano desenvolvesse seus dons e talentos para o bem de todos e que não fosse algo extraordinário alguém sobressair-se por causa de seu potencial artístico.
Simplesmente deveria se assim todo; deveria ser comum todos os seres poderem expressar sua alegria de esta vivo sem precisar "vender" seus talentos para manterem-se vivos.
Infelizmente, no entanto, a realidade que vivemos foi "pensada" de um jeito tal que as pessoas são compreendidas como máquinas de ganhar dinheiro, como objeto de consumo, como um monte de lixo que servirá apenas de estrume para aqueles que dominam o sistema social.
É preciso reverter esse quadro. É preciso que os professores criem uma consciência nova, dinâmica, ancestral, para que novo jeito de pensar venha à tona e possa colocar em xeque uma sociedade que desvaloriza o ser humano em detrimento do dinheiro, do acumulo, do consumo.
É preciso que os professores virem educadores de verdade e possam despertar nossos jovens para o futuro que se inscreve em nossa memória ancestral. Só assim teremos um amanhã.


Daniel Munduruku      

Graduado em Filosofia e Doutorando em Educação na USP. Comendador do Mérito Cultural da Presidência da República. Escritor com 35 obras publicadas (infantil, juvenil e adulta) Diretor presidente do Instituto Indígena Brasileiro para P. Intelectual




CONTRATO PEDAGÓGICO


 



Não importa a idade, as regras e os limites fazem parte da sociedade e desde cedo devemos aprender a conviver com as mesmas.

Saber que o seu direito termina onde começa o direito do outro, aprender a lidar com as diferenças e a resolver seus conflitos é uma constante na vida, seja em que etapa dela se vive.

Por isso, as crianças, desde bem pequenas, devem aprender a conviver com os combinados, os limites, pois não há como passar uma vida fazendo tudo como se quer, na hora que se quer, do jeito que se quer, com as pessoas que se quer.

Pelo contrário, existem as engolidas de sapos, que são importantes para o crescimento e amadurecimento de todos. O que seria do mundo se todos tivessem suas vontades feitas, na hora e do jeito que quisessem?

Na escola, os professores devem estabelecer os combinados(contrato didático/pedagógico), norteando os alunos dos seus direitos e deveres. Aliás, na escola, tudo o que for trabalhado deve ser apresentado com antecedência para as crianças, a fim de trabalhar a organização do tempo; hora da chegada, hora da conversa, hora da tarefa, hora de brincar, hora de lanchar, etc., pois assim as mesmas vão se acostumando à rotina escolar, ficando mais propensas a aceitar as regras.

Da mesma forma, o respeito ao outro deve aparecer em cartazes de combinados, também decorados com figuras e assinados por todos. É importante relembrar os combinados quase que diariamente, para não deixar passar em branco qualquer atitude que fuja aos mesmos.

Assim, cada turma deve elaborar um contrato pedagógico, que mais tarde, será transformado em contrato da escola, a partir de discussões com  os representantes das turmas.


sábado, 17 de setembro de 2011

JOGOS COOPERATIVOS

GOLFINHOS E SARDINHAS

FONTE:
Fábio Otuzi Brotto – Jogos Cooperativos: O Jogo e o Esporte como um exercício de

convivência. São Paulo : Editora Projeto Cooperação, 2001.
Há um tipo de Jogo Cooperativo muito especial:
Os Jogos Infinitos.

Neste jogo todos têm a oportunidade para exercer o poder pessoal e grupal sobre a vivência que estão compartilhando. “Golfinhos e Sardinhas” é um pega-pega muito parecido com os vários já conhecidos, senão por uma pequena mudança capaz de promover grandes transformações.
Nesta brincadeira propomos o exercício do Livre Arbítrio, da Tomada de Decisão, da Iniciativa para Correr Riscos e da Aventura de Compartilhar a Liberdade.
Objetivo Comum:
Pegar e escapar.
Escolher salvar quem foi pego, ou salvar a sim mesmo, ou pedir para ser salvo, ou não.
Decidir continuar o Jogo ou terminar com ele.

Participação:
Desde os 07 anos.
Um grande grupo.

Espaço:
Espaço amplo, dividido por uma linha central.

Material:
Sem material.

Desenvolvimento:
Este jogo está baseado no pega-corrente.
Começamos com todos os participantes (menos 1) agrupados numa das extremidades do espaço. Este é o “Cardume de Sardinhas”. Aquele 1 separado das “Sardinhas”, será o “Golfinho” e ficará sobre uma linha transversal demarcada bem no centro do espaço. Ele somente poderá se mover
lateralmente e sobre essa linha.

O objetivo das “sardinhas” é passar para o outro lado do oceano (linha central) sem serem pegas pelo “Golfinho”. Este por sua vez, tem o propósito de pegar o maior número possível de sardinhas (bastando toca-las com uma das mãos).

Toda “Sardinha” pega, transforma-se em “Golfinho” e fica junto com os demais golfinhos sobre a linha central. Lado a lado e de mãos dadas, formando uma “corrente de golfinhos”.

Na “corrente de golfinhos” somente as extremidades podem pegar. O jogo prossegue assim até que a “corrente de golfinhos” ocupe toda a linha central. Quando isto acontecer, a “corrente” poderá sair da linha e se deslocar por todo o “oceano” para pescar as sardinhas.
ATENÇÃO:
Quando a “corrente de golfinhos” for maior que a quantidade de “sardinhas” restantes, propomos a seguinte ação: Agora, as “sardinhas” poderão SALVAR os “golfinhos” que desejarem ser salvos.
Como? Basta a “sardinha” passar por entre as pernas do “golfinho”. Daí o “golfinho” solta-se da “corrente” e vira “sardinha”, de novo.

“Não pretendamos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode acontecer a pessoas e a países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, se supera sem ficar superado”.
Albert Einstein

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ESTAÇÃO BRINCADEIRA

PROGRAMAÇÃO INFANTIL DA RÁDIO MEC 800AM



SALA DE LEITURA

A leitura é um prazer e uma necessidade. É preciso ler. É gostoso ler. E este é um aprendizado que, como qualquer outro, se aperfeiçoa praticando. Abrir um livro, “entrar” por suas páginas, é uma aventura fantástica. E esta aventura deve ser vivida também na Sala de Leitura.

SALA DE LEITURA

Lugar de encontro

De muitos leitores/autores

De muitas leituras...

Lugar de (com)partilhar

E de (com)viver

Lugar de encontrar

Um bom motivo para ler

Colocar em funcionamento um espaço de leitura significa conjugar muitos verbos de ação: propor, procurar, arrumar, instigar, conversar, oferecer, dialogar, expor, organizar, pedir, controlar, arrumar, contar, olhar, brincar, ouvir, trocar, propagar, buscar, abrir, fechar, limpar, sensibilizar, mostrar, ensinar, dirigir, vender, mostrar, improvisar, criar. A lista é imensa e permite mais e mais.

Antes da leitura, é importante mostrar a capa do livro, indicar o título escrito ao mesmo tempo em que o lê e referir-se ao autor. Procure explorar as ilustrações (se elas aparecem em todas as páginas ou não, se o texto se mistura com elas ou não, se são coloridas ou não), a extensão do texto (quantas páginas tem a história) e, ainda, se no mesmo livro há apenas uma ou várias histórias. Esses dados ajudarão seus alunos a ter expectativas mais ajustadas àquilo que será lido.

Ainda antes de ler, você pode dar algumas dicas sobre a história... Não se trata de facilitar o trabalho do aluno contando antes de ler, mas de oferecer algumas informações sobre os personagens e o que lhes acontecerá, apenas para aumentar a curiosidade da turma.



UBUNTU


"Uma pessoa é uma pessoa por causa das outras pessoas".
Ditado sul africano da tribo Ubuntu
A jornalista e filósofa Lia Diskin no Festival Mundial da Paz em Floripa (2006) nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu. Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo então, propôs uma brincadeira pras crianças que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!" instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"
Ele ficou de cara.
Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?
Ubuntu significa: Sou quem sou, por quem somos todos nós.

domingo, 21 de agosto de 2011

E MAIS UMA VEZ, A LEITURA...





Paulo Freire sempre fez questão de situar a leitura de mundo como um conceito amplo que remete qualquer sujeito à necessidade de entender sua vida na relação com o mundo, estabelecendo uma mútua determinação entre linguagem e pensamento. Pensa-se o mundo, a vida no mundo, com o pensamento e com a linguagem (e dentro da linguagem a leitura dos textos verbais). Leitura de mundo e leitura das palavras dialogam.
Quando se lê um texto, a leitura de mundo entra de cabeça na produção dos significados resultantes dessa leitura. Quando se pensa o mundo, ocorre um diálogo com todas as leituras de textos feitas anteriormente.
E assim o real, o sentido de vida de cada um, vai sendo construído. E reconstruído. Feito e refeito.
(...)
Aprendemos com as leituras prazerosas, descompromissadas, escolhidas ao sabor do desejo, sem preocupação em buscar informações, em responder perguntas. Da mesma forma, as leituras feitas em busca de conhecimentos, aprendizagens dirigidas, podem causar prazer, o prazer de aprender, de saber mais, de descobrir coisas novas, de olhar a vida e o mundo com outros olhos.
Aos poucos, com a prática contínua e frequente da leitura, vai aprendendo a fazer escolhas, a cortar caminhos, a selecionar o que quer ler, a criticar o que lê, a não ficar parado no meio do caminho das significações que se lhe apresentam.
O leitor é esse sujeito que sofre com a dor de nunca saber tudo, mas que sente prazer em saber o que sabe e que pode saber mais. E sabe que pode ler tudo o que quiser, tudo o que é portador de um significado.


* Adaptação do Projeto Prazer em Ler – C&A

domingo, 17 de julho de 2011

APRENDENDO COM OS MESTRES: ARTUR DA TÁVOLA



Isso de Ganhar



Artur da Távola





Será mesmo necessário ganhar? De onde vem a necessidade do ser humano de ganhar ? O futebol do futuro vai ser sem o gol como única aferição da vitória e sem juiz. O momento do gol será festejado pelos dois times e cumprimentados os autores. Nem será necessário a bola transpor a linha. Uma
bela jogada de conclusão infeliz será considerada meio gol pelo time adversário que aceitará a qualidade de sua urdidura e mandará anotar o meio ponto.
Haverá uma qualificação para a beleza das jogadas a valer pontos e dela participarão os dois times, mais empenhados em descobrir a beleza do que em evitá-la. O resultado final será a mescla do número de gols, como o de escanteios, o de jogadas consideradas belas e atitudes dignas de registro. Os
dois times se reunirão para o proclamar e ambos comemorarão o fato de terem feito o espetáculo, aproveitando para verificar em que pontos melhoraram.
No futebol do futuro o adversário não servirá para ser superado ou superar, e, sim, para ajudar a conferir em que aspectos cada time superou-se (a si próprio e não ao adversário). O adversário nem assim se chamará. Será “o solidário”. As notícias dirão: 
 "A seleção brasileira solidarizou-se ontem com a da Alemanha na verificação dos pontos em que ambas progrediram. A do Brasil venceu a si mesma por três pontos e a da Alemanha empatou com o desempenho anterior. Ao final todos juntos comemorarão a alegria de compartir o esporte e de ajudar um ao outro na tarefa de auto-superação” .   Será o texto acima o de uma utopia ou o homem do futuro, liberto do mito do herói e da necessidade de poder o engendrará?  No dia em que o homem se tornar inteligente, e efetivamente livre, o esporte vai ser uma aferição exclusiva da auto-superação com a ajuda do outro, na condição de solidário e não de adversário. Deverá empenhar-se o máximo e o melhor que saiba. Como solidário e não como adversário, os desempenhos desportivos melhorarão enormemente. “O que faz a mão tremer na hora de retesar o arco é a obrigação de acertar”, já o diz, há milênios, a sabedoria do Taoísmo chinês.
Existe, mesmo, a necessidade de ganhar? Ou é dessas atitudes diante das quais só nos resta dizer: “O homem gosta de ganhar, precisa ganhar”. Não analisar esse mecanismo compulsório é aceitá-lo e construir uma ordem social, econômica e política baseada na vontade secreta de vitória que
anima o ser humano. Supondo-se ganhador o homem se sentirá seguro e deferirá ao sistema no qual viva os méritos de o haver conduzido à vitória.Ganhar dos demais é eco do tempo em que, para sobreviver, o animal tinha que disputar a comida com os da própria tribo. A humanidade levou milênios nessa atitude. A disputa entre os sistemas políticos, entre os homens nas rinhas e entre os desportistas, é uma rememoração inconsciente da longa etapa (milênios), na qual o preço da própria vida era a capacidade de disputar a presa com o semelhante. O sentido de disputa como essencial à manutenção da vida permaneceu no inconsciente humano até hoje. A cada vitória o homem tem a sensação de preservação da própria vida bem como a cada derrota infiltrar-se – sorrateira – a idéia da morte disfarçada pelos signos da depressão, tristeza e falta de ânimo. Os fracos devem morrer, reza a lei da natureza bruta, que o homem supõe ter superado, sem, efetivamente, o ter logrado. Animo é (etimologicamente) alma e, sem ela, a vida é morte.Ganharo que, de quem e para quê? Qual o sentido de ganhar? O que se ganha, ganhando? Uma alegria superpassageira e fugaz algo culpada até, porque há sempre alguma crueldade embrulhada na mais legítima vitória.
Vencer, ganhar, levar a melhor é parte importante do universo infantil, povoado de fantasias onipotentes. Na fantasia onipotente a criança se defende das limitações de tamanho, idade e força, fabulando situações nas quais é superpoderosa, vencedora. Por isso se identifica tão fortemente com os mitos representativos da força máxima, absoluta, onipotente. São um mecanismo simbólico pelo qual a fantasia se manifesta.
Depois de crescidas, mudam as formas e a maneira de as conceber ou encarar, mas qualquer adulto fixado nos mitos infantis ou incapaz de os perceber lavrando interiormente, transforma a própria vida numa ânsia doida de vitória, êxito, ou se não, pelo menos de derrota, queda ou destruição dos que lhe são contrários, inimigos, diferentes, antipáticos ou adversos.
Pessoas e países. Estes, aprisionados dentro do mito do herói (e não são poucos) entram na mesma paranóia e se transformam em enormes máquinas de capital e de estado destinadas a manter o poder, a força e a hegemonia de qualquer grupo, classe, burocracia ou casta dominante.
Crianças, adultos que vivem em disputa e necessitados de só vencer (em vez de “venSer”) e países cuja meta não é o progresso do homem mas a riqueza para o poder. Crianças, adultos e países aí estão a nos mostrar como é poderosa no bicho homem a necessidade de ganhar, viver em disputa e levar a

melhor.
Sem saber que a necessidade de vencer é a talvez principal fonte de sofrimentos do ser humano e das sociedades, o homem permanece aprisionado ao mito do herói, incapaz de aproveitar a energia despendida nessa luta estúpida, para outros tipos de vitória, as que não têm por meta a destruição de outras partes, e, sim, evoluir através da construção do mundo, da criatividade, da organização de sociedades justas, igualitárias e fraternas que não necessitem do impulso da competição para obterem a força de trabalho e a disposição necessárias ao avanço e à evolução.
Vencer é importante e significativo de aspectos positivos e ativos do homem. Mas vitória só existe onde aparece a criação com a conquista de novos passos e não onde jazem cadáveres dos antagonistas ou a cisão de partes do real, representada pela posição dos discordantes.
Vencer é importante quando se luta por uma ordem positiva e não quando se luta contra o que nos parece negativo. Vencer é uma atitude positiva diante da vida e não a derrota do positivo que havia nos antagonistas.
Mas se o homem precisa ganhar, aprecia ganhar, não vive sem ganhar, poderíamos, então, trocar o adversário. Não se trata de ganhar do outro. Mas de ganhar de si mesmo através do outro. Os competidores, juntos, debruçarse-iam sobre as virtudes próprias e adversárias (solidárias) na busca dos
pontos nos quais houvesse superação de desempenhos anteriores.
Vivemos, porém, numa realidade que assim não dispõe. As pessoas se comportam em função de ditames impostos pelas ideologias e os nomeiam de “realismo”. A nuvem pragmática que invadiu a humanidade no século XX determinada pela utopia do progresso material, científico e tecnológico levou os processos educativos (os escolares e os dos costumes) a colocar na eficácia, no resultado e na forma, toda a finalidade dos atos humanos.
Tal determinação da utopia materializante das ideologias da sociedade industrial (capitalismo e comunismo) gerou regras, leis não escritas e comportamentos, identificando o realismo não como uma visão ampla do real, mas apenas com as atitudes necessárias ao seu lado “eficaz”, “útil”, “funcional”. A hipertrofia do funcional determinou o recuo outros conteúdos do real, como o “moral”, o “poético”, o de “justiça”, “virtude”, “beleza”, “igualdade”, “sensibilidade” etc. que passaram a ser conotados como “fora da realidade” quando eram e são partes integrantes dela. Daí a grave crise civilizatória em que estamos, intoxicados de “vitorismo” e de uma ética inventada para glorificar vitórias a qualquer preço, esquecendo que perder também faz parte da vida. E, muitas vezes, o que parecer ser perder pode ser “perdar”.

domingo, 3 de julho de 2011

PARABÉNS À RÁDIO MALUCA


A RÁDIO MALUCA IMPULSIONA A IMAGINAÇÃO E MEXE COM NOSSOS SENTIDOS, ENSINANDO BRINCANDO E BRINCANDO ENSINANDO.


UM CALDEIRÃO DE SONS PARA BRINCAR, DANÇAR, CANTAR, CRIAR E APRENDER.

domingo, 5 de junho de 2011

“Todo conhecimento começa num sonho.
O conhecimento nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido,
 em busca da terra sonhada.
Mas sonhar é coisa que não se ensina.
Brota das profundezas da terra.
Como mestre só posso então lhe dizer uma coisa:
conte-me seus sonhos para que sonhemos juntos”.
(Rubem Alves)


AMBIENTE ALFABETIZADOR

Diz-se que um ambiente é alfabetizador quando promove um conjunto de situações de usos reais de leitura e escrita nas quais as crianças têm a oportunidade de participar. Se os adultos com quem as crianças convivem utilizam a escrita no seu cotidiano e oferecem a elas a oportunidade de presenciar e participar de diversos atos de leitura e de escrita, elas podem, desde cedo, pensar sobre a língua e seus usos, construindo idéias sobre como se lê e como se escreve.

Na escola são variadas as situações de comunicação que necessitam da mediação pela escrita. Isso acontece, por exemplo, quando se recorre a uma instrução escrita de uma regra de jogo, quando se lê uma notícia de jornal de interesse das crianças, quando se informa sobre o dia e o horário de uma festa em um convite de aniversário, quando se anota uma idéia para não esquecê-la ou quando o professor envia um bilhete para os pais e tem a preocupação de lê-lo para as crianças, permitindo que elas se informem sobre o seu conteúdo e intenção.

Todas as tarefas que tradicionalmente o professor realizava fora da sala e na ausência das crianças, como preparar convites para as reuniões de pais, escrever uma carta para uma criança que está se ausentando, ler um bilhete deixado pelo professor do outro período etc., podem ser partilhadas com as crianças ou integrarem atividades de exploração dos diversos usos da escrita e da leitura.

A participação ativa das crianças nesses eventos de letramento configura um ambiente alfabetizador na instituição. Isso é especialmente importante quando as crianças provêm de comunidades pouco letradas, em que têm pouca oportunidade de presenciar atos de leitura e escrita junto com parceiros mais experientes. Nesse caso, o professor torna-se uma referência bastante importante. Se o educador trouxer os diversos textos utilizados nas práticas sociais para dentro da instituição, estará ampliando o acesso ao mundo letrado, cumprindo um papel importante na busca da igualdade de oportunidades.

Algumas vezes, o termo “ambiente alfabetizador” tem sido confundido com a imagem de uma sala com paredes cobertas de textos expostos e, às vezes, até com etiquetas nomeando móveis e objetos, como se esta fosse uma forma eficiente de expor as crianças à escrita. É necessário considerar que expor as crianças às práticas de leitura e escrita está relacionado com a oferta de oportunidades de participação em situações nas quais a escrita e a leitura se façam necessárias, isto é, nas quais tenham uma função real de expressão e comunicação.

A experiência com textos variados e de diferentes gêneros é fundamental para a

constituição do ambiente de letramento. A seleção do material escrito, portanto, deve estar guiada pela necessidade de iniciar as crianças no contato com os diversos textos e de facilitar a observação de práticas sociais de leitura e escrita nas quais suas diferentes funções e características sejam consideradas. Nesse sentido, os textos de literatura geral e infantil, jornais, revistas, textos publicitários etc. são os modelos que se pode oferecer às crianças para que aprendam sobre a linguagem que se usa para escrever.

O professor, de acordo com seus projetos e objetivos, pode escolher com que gêneros vai trabalhar de forma mais contínua e sistemática, para que as crianças os conheçam bem.

Por exemplo, conhecer o que é uma receita culinária, seu aspecto gráfico, formato em lista, combinação de palavras e números que indicam a quantidade dos ingredientes etc., assim como as características de uma poesia, histórias em quadrinhos, notícias de jornal etc.

Alguns textos são adequados para o trabalho com a linguagem escrita nessa faixa etária, como, por exemplo, receitas culinárias; regras de jogos; textos impressos em embalagens, rótulos, anúncios, slogans, cartazes, folhetos; cartas, bilhetes, postais, cartões (de aniversário, de Natal etc.); convites; diários (pessoais, das crianças da sala etc.); histórias em quadrinhos, textos de jornais, revistas e suplementos infantis; parlendas, canções, poemas, quadrinhas, adivinhas e trava-línguas; contos (de fadas, de assombração etc.); mitos, lendas, “causos” populares e fábulas; relatos históricos; textos de enciclopédia etc.

domingo, 13 de março de 2011

Livro: uma história de amor!!!

O nosso livro
Florbela Espanca

Livro do meu amor, do teu amor, Livro do nosso amor, do nosso peito... Abre-lhe as folhas devagar, com jeito, Como se fossem pétalas de flor.
Olha que eu outro já não sei compor Mais santamente triste, mais perfeito. Não esfolhes os lírios com que é feito Que outros não tenho em meu jardim de dor!
Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu! Num sorriso tu dizes e digo eu: Versos só nossos mas que lindos sois!
Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente Dirá, fechando o livro docemente: "Versos só nossos, só de nós os dois!..."


quinta-feira, 10 de março de 2011

Para Alfabetizar os Alunos

  • organize a classe de maneira que todos os alunos possam participar dos projetos
  • leia diariamente para eles
  • escreva num cartaz o título do texto lido e o nome dos personagens (se houver)
  • peça que reproduzam o que você leu, como souberem
  • coloque material de leitura ao alcance dos alunos
  • comente sobre livros ou outros textos que você leu e achou interessantes
  • trabalhe com textos que permitam memorização, organize coletâneas com eles e incentive o aluno a fazer leitura de memória
  • leve para a sala de aula embalagens vazias, folhetos de propaganda, catálogo de livros etc
  • crie situações em que a escrita se faça necessária
  • faça produção coletiva de textos
  • procure ler o que os alunos rabiscam ou tentam escrever - traduza para a escrita convencional
  • distribua letras móveis e desafie-os a formar e ler palavras
  • ofereça jogos e incentive-os a jogar

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Escrever...que medo !!!
A gente não aprende a produzir textos na escola

Quando comecei a recordar os momentos vividos ao fazer minha monografia, lembrei-me de meu quase xará, Jô Soares, que falou que escrever é parir sem ser mãe. De fato, passei por um período de indecisões, enjôos, surpresas, contradições, ansiedades, inchaços e outras coisas mais, até chegar ao parto da monografia intitulada "A linguagem que se escreve na alfabetização - reflexos do saber do professor".
Desde a preparação até o "parto" ficou provado que escrever é mesmo como parir, ratificando em parte, o que diz o Jô. Mas, discordo quendo ele nega a maternidade, pois considero-me mãe de todos os textos que crio e até vejo certas facilidades, pois eles não choram, não pedem mesada, não mentem, não fazem desfeita, não batem nos colegas, não quebram vidraças. Infelizmente, também não abraçam, não fazem carinho, não dizem "Eu te amo", que pena!
O primeiro passo no desenvolvimento da monografia foi a escolha do seu tema. Não foi difícil decidir sobre o que discorrer, pois há muito tempo tinha uma inquietação sobre o processo de alfabetização de minhas turmas e de outras que acompanhava de perto: qual a razão das crianças escreverem tão mal?
Por que, quando as pessoas precisam utilizar a escrita para resolver seus problemas apresentam tantas dificuldades? Por que a escrita constitui-se num objeto tão misterioso e inatingível?
Estas indagações causaram-me uma confusão enorme. Logo eu, que havia levantado tantos questionamentos, por ironia do destino ou da escola (quem diria?)sentia um enorme obstáculo para escrever. Que absurdo! De que me adiantaram tantos anos de estudante e outros de professora, tendo a caneta e o papel como compaheiros, se na hora de resolver um problema, não conseguia.
No meu caso, reverter essa situação tornou-se um desafio vital, pois era quase uma questão de "sobrevivência" mesmo: ou escrevia a tal monografia, ou ficava reprovada no curso de licenciatura. Aí, não!
Durante essa gestação, percebi que a causa da dificuldade de escrever na escola e mais tarde no cotidiano, se deve ao fato de que aprendemos a reconhecer, ler e copiar palavras e até juntar algumas delas e compor algumas orações, poucas, é claro, para não errar.
Mas, produzir textos, isso não aprendemos na escola. Pode-se até dizer que a escola forneceu o suporte básico para a escrita: leitura, pontuação, ortografia mas, a criação, a aventura e o prazer da escrita ficaram esmagados por práticas mecânicas e sem valor.
Por que não me avisaram que a escrita é igual sorvete, que precisa ser experimentado e misturado, na busca de um sabor mais gostoso e original? Depois de muitas misturas, hoje, penso que encontrei o caminho. Mas este caminho é longo e ainda há muito o que percorrer.
Finalmente "pari" a monografia e conclui o meu curso. Neste trabalho refleti sobre a aprendizagem da linguagem escrita no processo de alfabetização e, analisando as dificuldades do escrever, percebi que alguns permanecem no impasse, outros conseguem superá-lo, mas ainda são muitos os que se encontram excluídos da construção coletiva do saber.
Logo, procurei ressaltar a importância da educação voltada para as situações do dia-a-dia, a fim de propiciar uma interação do indivíduo na sociedade, numa amplitude maior, através da formação de um leitor/produtor, que lê, entende e cria os mais diversos textos para participar melhor do mundo que o cerca.
Se consegui superar meus problemas, não sei. Posso dizer que fui "mãe" e que estou aprendendo, atrevendo-me,enfim, construindo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O ALFABETO


Conhecer os nomes das letras é fundamental para os alunos que estão se alfabetizando, pois em alguns casos eles fornecem pistas sobre um dos sons que elas podem representar na escrita. Além disso, os alunos têm de conhecer a forma gráfica das letras e a ordem alfabética. Essa aprendizagem, porém, pode ocorrer de forma lúdica e divertida por meio de jogos, parlendas e adivinhas.

Você pode:
Afixar as letras do alfabetário junto com os alunos, transformando esse momento de organização do espaço da sala de aula também em um momento de aprendizagem.

Fazer uma ficha com o alfabeto completo em letra bastão para que os alunos a colem em seu caderno.

Fazer um marcador de livro ou ficha avulsa com o alfabeto completo para que possam consultá-lo sempre que precisar.

Organizar atividades de completar as letras do alfabeto, utilizando suportes variados: o alfabetário afixado na sala de aula, cobrindo algumas das letras com um pedaço de papel e/ou uma tabela com a seqüência do alfabeto incompleta (produzida no computador ou mimeografada).

Propor que os alunos analisem quais são as letras que compõem seu nome, os nomes dos colegas e o do professor. A atividade poderá, inicialmente, ser feita de forma coletiva, e, depois, com os alunos reunidos em duplas ou em grupos. Comece escrevendo seu nome no quadro e, junto com a turma, analise quais as letras que o compõem. Mostre quais são essas letras, destacando aquelas que aparecem mais de uma vez. Depois, em duplas, os alunos deverão analisar quais letras fazem parte do
próprio nome, utilizando como suporte o crachá.

Ensinar os alunos a “cantarolar” o alfabeto, de modo que memorizem a seqüência das letras, ainda que não conheçam sua forma gráfica. Esse procedimento vai ajudá-los a reconhecer os nomes das letras, facilitando a aprendizagem.

Recitar parlendas que envolvem o alfabeto também é uma ótima estratégia. As atividades com o alfabeto devem acontecer apenas enquanto houver alunos que não sabem os nomes das letras. Depois disso, elas perdem a função.
Como fazer uma escola?
De que elementos compô-la?
E depois de feita
Plantá-la no coração do seu povo
E deixar que aí floresça
Sem medos
Sem muros
Desmedida
Excessiva
Solidária
Autônoma
Competente
Múltipla
Feliz
Para que o povo faça dela
A praça da Alegria
E a mantenha sempre corajosa
Para os desafios do próprio povo
E eternamente nova para o povo de cada instante
Até que uma nova criança
Inaugure um espaço novo.

Wellington Martins


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

PROJETO FAZENDO AMIGOS

Este projeto tem como objetivo estimular nos alunos
sentimentos e valores de solidariedade, amizade,
respeito, dignidade, cooperação...

FAZENDO AMIGOS é uma forma de criar vínculos com outras pessoas, conhecer novas realidades, aprendendo novos costumes e desenvolver a auto estima.
Assim, nossa proposta é discutir sobre a importância de Ter amigos ao nosso redor e outros mais distantes, que não deixam de ser amigos em virtude da distância. Hoje, a tecnologia nos aproxima: o telefone, cartas, computador...
Precisamos levar nossos alunos a perceberem que estamos sempre necessitando uns dos outros. Sozinhos, não conseguimos nada.

A estratégia para execução do projeto FAZENDO AMIGOS é a comunicação através de cartas.
A correspondência, um tipo de texto freqüente nas práticas sociais, favorece construir conhecimentos sobre a linguagem escrita, associando o conhecimento prévio a outros que se somarão e/ou substituirão o saber existente.
Podemos nos comunicar com algumas escolas vizinhas e propiciarmos momentos de integração com outros alunos de nossa comunidade.

ETAPAS DO PROJETO:

Realizar atividades em sala de aula, discutindo a importância sobre o respeito entre as pessoas, o valor da amizade...
Aproveitar a hora da entrada para transmitir mensagens sobre respeito, amizade, união...
Cantar uma música, no pátio, para ordenar a subida das turmas para a sala de aula.
Conhecer o trabalho dos Correios.
Escrever cartas para alunos de nossa escola, como também, de outras escolas, promovendo um intercâmbio entre os alunos.
Produzir vários tipos de textos que estimulem a amizade entre as pessoas.
Criar alternativas para encontros com as turmas que estão se correspondendo.

Abaixo, seguem algumas sugestões de atividades para serem realizadas com as crianças, como também algumas músicas sobre o tema.

MÚSICAS


AMIGO Zé Zuca e Bia Bedran

Um amigo é alguém que gosta muito de você
Está sempre por perto
E tem por certo coisa boa pra falar
Um bom amigo quando é
Sabe de cor o coração

Um amigo sempre traz
O calorzinho da emoção.
Fazer amigo é se comunicar
Pegar a onda e navegar
Quem tem amigos nunca sai do ar
Ficam ligados na mesma estação.
La,ra,ra,rá...


DIA DE ALEGRIA

Hoje é dia de folia
É hora de pular, cantar
Soltar de vez a nossa energia
Hoje meu sonho é de verdade
Então divido com você
De vez a minha felicidade

Levante a mão eô eô
Bate com o pé êa êa
Quem tiver dormindo tá
Na hora de acordar

Vamos dançar, nos divertir
A minha alegria é fazer você sorrir


ALEGRIA DA VIDA(Paulo Cesar e Marcos Valle)

Todo dia é dia
Toda hora é hora
De saber que esse mundo é seu
Se for amigo e companheiro
Com alegria e imaginação
Vivendo e sorrindo
Criando e rindo
Será muito feliz
E todos serão também

ERA UMA VEZ... ( Alvaro Socci )

Era uma vez
um lugarzinho no meio do nada
com sabor de chocolate
com cheiro de terra molhada
era uma vez
a riqueza contra a simplicidade
uma mostrando pra outra quem dava mais felicidade.
Pra gente ser feliz
Tem que cultivar as nossas amizades
Os amigos de verdade
Pra gente ser feliz
Tem que mergulhar na própria fantasia
Na nossa liberdade
Uma história de amor
De aventura e de magia
Só tem a ver
Quem já foi criança um dia.


VAMOS CONSTRUIR

Sei que ainda sou criança
Tenho muito que aprender
Mas quero ser criança
Quando eu crescer
Nosso mundo é um brinquedo
Com pecinhas para unir
Ele será todo seu
Se você pensar assim:

Vamos construir
Uma ponte em nós
Vamos construir
Pra ligar o seu coração ao meu
Com o amor que existe em nós

E você que é gente grande
Também pode aprender
Que amar é importante
Pro meu mundo e para o seu
Mas eu tenho a esperança
De você ser meu amigo
De voltar a ser criança
Pra poder brincar comigo

Tudo o que se sonha
Com o amor se pode conseguir é assim, é assim
Que a gente vive muito mais feliz


É PRECISO SABER VIVER

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso Ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra no caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinho
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver.

CANÇÃO DA AMÉRICA

Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas, quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir
Mas quem ficou no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier
Venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto a te encontrar
Qualquer dia amigo a gente vai se encontrar.


☼ Criar um amigo de sucata ( boneco ). Pode-se utilizar meia-calça, caixas diversas, garrafas plásticas... Dar um nome para o boneco, fazendo seu perfil.


PORQUINHO-DA-ÍNDIA ( Manuel Bandeira )

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
-O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

SUGESTÃO:

☼Conversar com os alunos sobre os animais “amigos de infância” que eles têm ou tiveram:
☼Fazer a descrição do bicho.
☼Quem não teve, pode descrever é o bicho que gostaria de Ter tido.
☼Discutir sobre a dor de coração que o bicho do poema causava ao autor. Relatar alguma dor causada pelo bichinho de estimação.


O MENINO AZUL

O menino quer um burrinho
Para passear
Um burrinho manso,
Que não corra nem pule,
Mas que saiba conversar.

O menino uqer um burrinho,
Que saiba dizer
O nome dos rios,
Das montanhas, das flores,
-de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
Que saiba inventar
Histórias bonitas
Com pessoas e bichos
E com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
Que é como um jardim
Apenas mais largo
E que não tenha fim.

( Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Rua das casas,
número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler. )

SUGESTÕES:

☼ Escrever uma carta para o menino falando sobre onde está o burrinho.
☼ Como o menino não sabe ler, que tal criar uma carta enigmática?
☼ Ou então, desenhos ou mapas para ilustrar o caminho até o burrinho.

A BORDO DO RUI BARBOSA ( Chico Buarque )


O marinheiro João
Chamou seu colega Cartola
E pediu:
“Escreve pra mim uma linha
Que é pra Conceição”.
“Tu é analfa?” disse o amigo
e sorriu simpatia
mas logo depois amoitou
porque era analfa também.
Mas chamou Chiquinho
Que chamou Batista,
Que chamou Geraldo,
Que chamou Tião, que decidiu.

Tomou coragem
E foi pedir uma mãozinha para o capitão
Que apesar de ranzinza,
É um homem bem letrado,
É homem de cultura
E de fina educação.

E João encabulado
Hesitou em ir dizendo
Abertamente assim
O que ia fechado
Bem guardadinho
No seu coração
Mas ditou...
E o capitão boa gente
Copiou num pedaço de papel:
“Conceição...”
...no barraco Boa vista
chegou carta verde
procurando Conceição;
e riu muito
porque era a primeira vez,
mas logo amoitou.

Conceição não sabia ler,
Chamou a vizinha Bastiana
E pediu:
“Quer dar uma olhada?
Que eu estou sem óculos.
Não enxergo bem”.

Bastiana também sofria da vista
Mas chamou Lurdinha
Que chamou Maria
Que chamou Marlene
Que chamou Iaiá
Estavam todas sem óculos.

Mas Emília conhecia
Uma tal de Benedita,
Que fazia seu serviço
Em casa de família
E tinha uma patroa
Que enxergava muito bem.

Mesmo a olho nu.

E não houve mais problema
A patroa boa gente,
Além do favor,
Achou graça e tirou cópias
Para mandar para as amigas.

Leu para Benedita
Que disse a Emília
Que disse a Iaiá
Que disse a Maria
Que disse a Lurdinha
Que disse a Bastiana
Que disse sorrindo

A Conceição
O que restou do amor,
O que restou da saudade
O que restou da promessa
O que restou do segredo
De João
SUGESTÕES:
☼ que será que estava escrito na carta que João enviou para Conceição? Escreva a carta de João, lembrando que ele estava longe da amada.
☼ Descrever o caminho que a carta de João percorreu até o momento em que Bastiana conta Conceição o que estava escrito.
☼ Desenhar os personagens do poema

☼ Brincadeira – Telefone sem fio
☼ Desenhar o navio onde está João
☼ Cantar a música dos Paralamas do Sucesso “ Entrei de gaiato no navio...”, Marinheiro, marinheiro” , de Dorival Caymi

☼ Para quem escrevo? Escreva como você começaria uma carta se tivesse de escrever para:
Um grande amor...
Para sua mãe ou pai...
Sua professora...
Seu melhor amigo...
Um padre ou pastor...
O presidente da República...

☼Organizando uma carta:
Para quem vou escrever?
Como vou começar a carta?
O que quero saber?
O que quero contar?
Como vou acabar a carta?

LITERATURA INFANTIL:

ALENCAR, Chico. Piracema. Ed. Moderna, 1992.
______, BETINHO. Miltopéia – A centopéia solidária. Ed. Salamandra, s/d.
BELINK, Tatiana. O Grande Rabanete. Ed. Moderna, s/d.
CHAPELA, Luz Maria. O Correio – histórias de umas cartas. Ed. Autores & Agentes & Associados, 1988.
MANZANO, Sylvia. Carta para Carolina. Ed. Dimensão, 1992.
LIZANDRO. Carta para a Estrela Catarina. Ed. RHJ, 1992.
GUIMARÃES, Andréa. A Viagem de uma carta. Ed. RHJ, 1991.
ORTHOF, Sylvia. Pomba Colomba. Ed. Ática, s/d.
PRADO, Lucília Junqueira de Almeida. Fiz o que pude. Ed. Moderna, 1992
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos. Correspondência. Ed. Miguilim, 1986.
ZIRALDO. Os dez amigos. Ed. Melhoramentos,

SUGESTÕES DE LEITURA:

A expressão livre no aprendizado da Língua Portuguesa – Pedagogia Freinet
( Série Pensamento e Ação no Magistério ) – Ed. Scipione

Coleção CIEE
( Série Fórum Permanente de Debates sobre a Realidade Brasileira )
Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE
Rua Tabapuã, 540 – São Paulo – SP
Programas da Rádio Maluca:
♬ Amigo é...
♬ Amiga diferente